O castelo mais antigo de Nápoles não fica exatamente em terra firme. Ele ocupa Megaride, uma ilhota de tufo vulcânico que hoje está presa ao continente por uma ponte curta e virou península. Foi ali, por volta de 650 a.C., que colonos gregos vindos de Cuma fundaram Palaeopolis, a "cidade velha" que antecedeu Neápolis, a "cidade nova" que deu nome a Nápoles. Visto do calçadão da Via Partenope, o bloco amarelado de pedra parece uma coisa só. Na verdade é uma pilha de camadas: villa romana, mosteiro, fortaleza normanda, prisão real.
Da villa de Lúculo ao último imperador
No século I a.C., o general romano Lúcio Licínio Lúculo, famoso pela riqueza e pelos banquetes (em italiano, um banquete farto ainda é chamado de "luculliano"), construiu uma villa sobre a ilhota. O lugar ficou conhecido como Castellum Lucullanum. No século V, o imperador Valentiniano III mandou fortificá-lo.
Em 476, foi para lá que o chefe germânico Odoacro mandou Rômulo Augústulo, o adolescente que é contado como o último imperador romano do Ocidente. Odoacro o depôs, poupou sua vida e o exilou na antiga villa de Lúculo. É a data que os livros de história usam, por convenção, para marcar o fim do Império Romano do Ocidente: o império acabou, por assim dizer, numa casa de praia em Nápoles. Depois de 492, Eugípio fundou ali um mosteiro, e monges basilianos se instalaram na ilhota, com um scriptorium que copiava manuscritos.
Normandos, suevos e angevinos
O castelo propriamente dito começou com os normandos. Rogério II conquistou Nápoles em 1140 e fez de Megaride sua sede. Frederico II, da dinastia suábia, reforçou a fortaleza com novas torres no século XIII. Com os angevinos, Carlos I passou a usá-la como residência real e também como prisão de Estado; Conradino da Suábia, o último herdeiro dos Hohenstaufen, esteve preso ali antes de ser executado em Nápoles, em 1268. Mais de um século depois, a rainha Joana I também acabou presa no castelo, depois de 1381.
O ovo de Virgílio
O nome vem de uma lenda medieval. O poeta Virgílio, que viveu em Nápoles e tinha fama de mago na Idade Média, teria escondido um ovo mágico nas fundações. Enquanto o ovo estivesse inteiro, o castelo, e com ele a cidade, ficaria de pé. Conta a tradição que, no século XIV, quando um arco da fortaleza desabou em parte durante o reinado de Joana I, a rainha precisou jurar publicamente que tinha substituído o ovo, para conter o pânico.
Hoje o castelo pertence à prefeitura de Nápoles, passou por uma longa restauração iniciada em 1975 e recebe exposições e eventos. Aos pés dele, o antigo vilarejo de pescadores do Borgo Marinari virou uma pequena marina cheia de restaurantes. Dos terraços, a vista vai do Vesúvio à colina de Posillipo.
Perguntas frequentes
Por que se chama Castel dell'Ovo?
Por causa da lenda medieval do ovo mágico que Virgílio teria escondido nas fundações para manter o castelo de pé.
Quem foi exilado no Castel dell'Ovo?
Rômulo Augústulo, o último imperador romano do Ocidente, mandado para a antiga villa de Lúculo em 476.
Onde fica?
Na antiga ilhota de Megaride, ligada ao calçadão da Via Partenope, no bairro de San Ferdinando, à beira do golfo.


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